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Katatonisch
Tipo de projeto
Espetáculo de Teatro
Data
2017
Teatro físico e mímica contemporânea se encontram no processo de montagem numa confluência íntima e orgânica. Meses de trabalho para alinhar anos de pesquisa. Sem a necessidade de uma estrutura dramática tradicional, o corpo do ator, num diálogo com as sombras e objetos que colaboram na composição das imagens, cria formas compreensíveis ao imaginário coletivo, não necessitando e até evitando o uso da palavra inteligível, buscando formas extra cotidianas de diálogo com o interlocutor.
Miqueias Paz, diretor do espetáculo, traz em seu corpo, respiração e universo imagético a experiência de mais de quarenta anos criando formas com o movimento. Mímico reconhecido no Brasil e no mundo, começou um diálogo com o ator do espetáculo há oito anos por meio de direção de outros trabalhos coletivos, cursos imersivos, assessoria em mímica e teatro físico. O espetáculo também é fruto desta relação. O mímico das mil formas é também um mímico da sonoridade. Talvez por isso, a cenografia desta experiência é desenhada e sentida por meio dos sons.
Assim, a colaboração do multi-instrumentista Fernando Assis na concepção, desenvolvimento e execução da trilha sonora é fundamental. É ela o movimento invisível que transpassa o espectador. É ela que desenha no escuro as sensações, o clima, a temperatura, o sentimento e o espaço abstrato onde acontece a narrativa desconstruída.
O ator Thiago Moura, ao decidir construir um espetáculo que fosse a síntese das múltiplas linhas de pesquisa que envolvem o seu trabalho, estabeleceu um desafio para vida: criou um espetáculo que é, ele mesmo, resultado de um processo e uma proposição de múltiplos processos. O espetáculo não tem um ponto final. Ele sempre propõe mais e solicita mais ao trabalho do ator. Assim, os ensaios e a preparação para realização do espetáculo são, em si, um treinamento completo para o desenvolvimento do trabalho do ator numa perspectiva do teatro contemporâneo. A máscara (e nela o trabalho do palhaço contemporâneo e do bufão), a palavra (ou a potencialidade sonora do corpo do ator), a pesquisa de linguagem (numa busca de uma estética do sonho) e a inter-relação entre teatro, vídeo e cinema - um caminho trilhado a anos pelo ator em diversos espetáculos, convergem, todos, em uma só obra. Desafio, inquietação e desconstrução de modelos pré-estabelecidos. Um jeito próprio, estranho e convicto.
O espetáculo é, sobretudo, uma encruzilhada. Um ponto de conexão entre profissionais, pessoas e linguagens. Aponta para diversos caminhos e se estabelece como obra aberta e se completa apenas na mente do espectador ou naquilo que ele compreende como realidade. E o que é realidade? A investigação do onírico, do universo do sonho e de uma estética que nasce desta relação com o delírio são propostas deste trabalho. A realidade para além da realidade. E neste campo de investigação e experimentação, sem jamais chegar há qualquer conclusão ou ponto final, nos encontramos com outros artistas que, de alguma forma, dialogam suas obras neste espectro criativo em suas múltiplas linguagens: Salvador Dalí, Luis Buñuel, David Lynch, Jan Saudek nos atravessam e nos alimentam.
A encruzilhada está aqui também no encontro de linguagens: teatro, vídeo, cinema, dança, música, performance e circo. Emaranhados, deformados e quase irreconhecíveis nosso circo dos horrores.
A luz, a trilha sonora, cenografia, os objetos e figurinos acompanham a estética do sonho, do onírico. De forma minimalista e objetiva são caminhos para o encontro entre obra e espectador. O espetáculo existe a partir da influência do espectador.
Nota do diretor:
Sangue, suor, vísceras, pulmão, respiração.
Os processos em que a atividade corporal se faz fundamental se utilizam de uma linguagem que toca o ser humano a partir não do verbo, mas das sensações, da emoção, da percepção. Aqui, as vísceras dizem muito mais do que a palavra. O ator corporal toca em sentimentos e sensações nos quais o espectador nem se percebe envolvido. A relação de compreensão do espetáculo não é digerida de imediato porque ela provoca determinadas emoções que, às vezes, levam dias para que sejam decodificadas e compreendidas.
É muito comum no teatro físico, principalmente quando se utiliza uma linguagem abstrata, que o espectador se envolva com o espetáculo, se emocione, ria, chore e, muitas vezes, não consiga nem explicar o que está sentindo. O verbo é capaz de criar uma ilusão - objetiva e explica o que o corpo faz sentir. É muito comum, com objetos imaginários, você ver as reações… como quando mastigo um chiclete imaginário em meu espetáculo e o público reage de maneira contundente, com náuseas, sem que nada, de fato, esteja sendo feito. Se eu contasse esta cena, provavelmente não teria 20% desta sensação. No teatro físico é essa a essência que toca. Você faz com que o espectador se movimente internamente e envolva seus próprios músculos naquilo que você está executando.
Quando vejo a proposta do Katatonisch em execução eu tenho esta sensação. As pessoas se tocam, se percebem, sofrem e se angustiam exatamente pela capacidade corporal. Como diretor, fui muito feliz em ter o ator com a disponibilidade e integridade física necessárias. Essa entrega faz com que haja um desenvolvimento muito pleno. E neste processo é importante o cuidado em fazer com que o ator se cuide muito para que não se torne um exibicionista, porque há uma forte tendência dos atores físicos caírem nesta cilada e sobrevalorizarem sua capacidade e vitalidade, quando isso é o que menos importa que seja percebido.
O objetivo não é que o espectador se espante com a definição muscular e capacidade de respiração, mas sim que se envolva na respiração e na pulsação do ator, fazendo conexão entre o universo do espetáculo e o imaginário da platéia. O teatro físico tem esse poder.
O que buscamos no Katatonisch é isso: que a prática visceral que existe no espetáculo faça com que as entranhas do espectador também pulsem e explodam com a execução da obra. Que ao final do espetáculo o espectador esteja quase tão cansado quanto o ator que o executou, porque ele acompanha e reage a cada gesto, movimento e respiração como se ele mesmo o executasse internamente.
Sinopse: Uma busca pela estética do sonho. Uma investigação sobre as fronteiras entre sonho e realidade. O espetáculo é uma ferramenta de conexão com um outro lugar. Devaneio e sanidade. Animal e homem. O que nos divide? O que nos aproxima? Do terror à comédia, este espetáculo convida o espectador a transitar, junto com o ator, por diferentes sensações e sentimentos inerentes à vida e ao tempo presente. Uma reflexão sensorial sobre quem somos e sobre o mundo que vivemos.
Histórico:
2017 - Prêmio de circulação do Fundo de arte e cultura de Goiás/2017 - apresentações realizadas na Cidade de Goiás/GO, Goiânia/GO, São Jorge/GO, Alto Paraíso/GO.
2018 - Selecionado para o Festival de Máscaras do Cariri.
2019 - Objeto da pesquisa “O Ator Transmidiático” selecionada pelo Programa de Pós-graduação em Artes da Cena/EMAC/UFG para obtenção do grau de mestrado do ator e pesquisado Thiago Moura.
2021 - Realização e distribuição online de 15 videoperformances do espetáculo Katatonisch como parte do projeto BASTET 18 ANOS contemplado pelo Fundo de Arte e Cultura de Goiás.
2021 - Realização do ensaio fotográfico “O HOMEM SEM FACE” na Chapada dos Veadeiros pelo fotógrafo Raphael Vieira como desdobramento transmídia do espetáculo “Katatonisch”.
2022 - Projeto Manutenção Grupo Bastet (exibição online).
2022 - Realização e distribuição online de 48 videoperformances do espetáculo Katatonisch como parte do projeto KATATONISCH contemplado pela Lei Estadual de Incentivo à Cultura (Lei Goyazes).
2023 - Projeto Conexões Cênicas - apresentação no teatro sede da Cia Sem Nome (Aparecida de Goiânia, Goiás)
2017 - XV Festival de Teatro da Federação de Teatro de Goiás (Feteg) no Teatro Sonhus (Goiânia, Goiás).
2024 - KOSHARE - Encuentro Latinoamericano de Teatro Físico de Animación y Comicidad (Medellín/Colômbia); e "El Teatro se Toma Bello" - festival internacional de teatro realizado na cidade de Bello, Colômbia, que celebrava sua 18ª edição.
2025 - Claque Cultural - Alto Paraíso de Goiás, Casa de Cultura Cavaleiro de Jorge - Sesc GO / FAC GO.
Ficha técnica:
Direção: Miqueias Paz
Trilha sonhora: Fernando Assis
Ilumninação: Marcus Pantaleão
Identidade Visual, marketing digital e mídias de internet: Roberta Otone
Fotografia: Lorena Coelho
Elenco: Thiago Moura
Fotografias (Lorena Coelho): https://drive.google.com/drive/folders/14oZcdCQ51AxWFFgygKl_IU-wwPHrrB5Q?usp=drive_link
Ensaio fotográfico “O homem sem face”:
https://drive.google.com/drive/folders/1qAuW19B9nxzb38LzFS4TW2dbtRMSxrMr?usp=drive_link
Vídeo do espetáculo na íntegra:
https://www.youtube.com/watch?v=Bqvh5bzi8C8 (com edição)
https://youtu.be/95O0ugjOFuw?si=CZQYPdSxrdNbL4FK (íntegra completo sem edição)
Websérie - primeira temporada (15 episódios):
https://www.youtube.com/playlist?list=PL9RINCm3UHZHpznv-r6Cq_krQwALCDYxL
Websérie - segunda temporada (48 episódios):
https://www.youtube.com/playlist?list=PL9RINCm3UHZH-APtA49BhhaKdzq_Onphn
Descrição do figurino e maquiagem:
Figurino: short preto de malha, blazer cinza escuro, gravata, joelheiras. / sunga, óculos de banho e bóias de braço
Maquiagem: maquiagem imitando machucados e escoriações
Informações sobre o TEXTO:
Prezados, o espetáculo Katatonisch não possui um roteiro textual, sendo este um teatro físico. A mímica contemporânea também se encontra no processo de montagem, numa confluência íntima e orgânica. Meses de trabalho para alinhar anos de pesquisa. Sem a necessidade de uma estrutura dramática tradicional, o corpo do ator, num diálogo com as sombras e objetos que colaboram na composição das imagens, cria formas compreensíveis ao imaginário coletivo, não necessitando e até evitando o uso da palavra inteligível, buscando formas extra cotidianas de diálogo com o interlocutor.
Miqueias Paz, diretor do espetáculo, traz em seu corpo, respiração e universo imagético a experiência de mais de quarenta anos criando formas com o movimento. Mímico reconhecido no Brasil e no mundo, começou um diálogo com o ator do espetáculo há oito anos por meio de direção de outros trabalhos coletivos, cursos imersivos, assessoria em mímica e teatro físico. O espetáculo também é fruto desta relação. O mímico das mil formas é também um mímico da sonoridade. Talvez por isso, a cenografia desta experiência é desenhada e sentida por meio dos sons.
Assim, a colaboração do multi-instrumentista Fernando Assis na concepção, desenvolvimento e execução da trilha sonora é fundamental. É ela o movimento invisível que transpassa o espectador. É ela que desenha no escuro as sensações, o clima, a temperatura, o sentimento e o espaço abstrato onde acontece a narrativa desconstruída. O espetáculo não tem um ponto final. Ele sempre propõe mais e solicita mais ao trabalho do ator. Assim, os ensaios e a preparação para realização do espetáculo são, em si, um treinamento completo para o desenvolvimento do trabalho do ator numa perspectiva do teatro contemporâneo. A máscara (e nela o trabalho do palhaço contemporâneo e do bufão), a palavra (ou a potencialidade sonora do corpo do ator), a pesquisa de linguagem (numa busca de uma estética do sonho) e a inter-relação entre teatro, vídeo e cinema - um caminho trilhado a anos pelo ator em diversos espetáculos, convergem, todos, em uma só obra. Desafio, inquietação e desconstrução de modelos pré-estabelecidos. Um jeito próprio, estranho e convicto.
A cena é, sobretudo, uma encruzilhada. Um ponto de conexão entre profissionais, pessoas e linguagens. Aponta para diversos caminhos e se estabelece como obra aberta e se completa apenas na mente do espectador ou naquilo que ele compreende como realidade. E o que é realidade? A investigação do onírico, do universo do sonho e de uma estética que nasce desta relação com o delírio são propostas deste trabalho.
A realidade para além da realidade. E neste campo de investigação e experimentação, sem jamais chegar há qualquer conclusão ou ponto final, nos encontramos com outros artistas que, de alguma forma, dialogam suas obras neste espectro criativo em suas múltiplas linguagens: Salvador Dalí, Luis Buñuel, David Lynch, Jan Saudek nos atravessam e nos alimentam. A encruzilhada está aqui também no encontro de linguagens: teatro, vídeo, cinema, dança, música, performance e circo. Emaranhados, deformados e quase irreconhecíveis nosso circo dos horrores. A luz, a trilha sonora, cenografia, os objetos e figurinos acompanham a estética do sonho, do onírico. De forma minimalista e objetiva são caminhos para o encontro entre obra e espectador. O espetáculo existe a partir da influência do espectador.


























